domingo, 30 de agosto de 2009

Realidade percebida #6

Estou naqueles dias.
Curioso, dito assim. Se fosse uma fêmea, toda a gente compreendia. Sendo um homem, especialmente acabado, ou recebo um olhar de lado ou um falso julgamento de pessoa invadida por acessos de caganeira compulsivos e quase incontroláveis mediados por esfíncteres que teimam em deixar de responder à vergonha e ao embaraço públicos - como quem diz, flácidos ou incontractéis.
Evitando a confusão deturpadora dos pensamentos puros, ou pelo menos não maléficos, confesso que aqueles dias se referem ao tédio existencial de quem passa os dias sem ter que fazer (entenda-se o fazer como referente a toda a acção de lazer e divertimento que em tempos caóticos não hesitaria em querer materializar-se, qual oásis no deserto). Quase desejo o trabalho tasqueiro de servir imperiais escorridas e fritar bolinhos de bacalhau para ressequirem e perfumarem esse antro a semana toda. E olhem que pelo andar da carruagem, pouco falta.
Nem as amizades tapam este buraco, não fossem os Malditos andarem migrados pelos quatro cantos do mundo, certamente e se bem os conheço, imunes a esta sina de frustrados. Gente nova, é mesmo assim; ainda têm o sangue quente, paciência e meia dúzia de trocos no bolso para correrem mundo fora.
Bem, julgo que desta feita percebo melhor, não obstante, os mesmos rostos débeis e apáticos de outros velhos que passeiam de autocarro em autocarro, suprimindo este ciclo para "meia dúzia de canecos ou uma ida à praia ver umas moças", segundo relatam. Quem sabe, não acabe no marca passo diário de "café e meio bagaço depois das refeições e uma boa suecada tarde fora debaixo da ramada a falar da bola".
Às tantas este é mais um dos dogmas da vida.

Bachiatari Sensei

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