quarta-feira, 28 de abril de 2010

mirando

É como se tivesse renascido.
O Ad lá foi esboçando os primeiros passos. Uma tarefa árdua para ele, já que esse suposto mecanismo banal está pouco ou nada potenciado a longo prazo nos seus cabos de cobre. Tentativas, retentativas e reretentativas, todas baseadas numa perserverança partilhada. Uma espécie de chaperone chamado coragem induzida.
E deu o primeiro passo. Outros tantos igual àquele. Até que seguia a galope rumo a... rumo a quê? Nada de concreto. Apenas bolinava, com as vontades orientadas ao sabor da ponteira escrava que, segundo se diz, aponta sempre para o Norte. E lá ia, Ad, rumo ao Norte, ainda que desnorteado.
Contudo, seguir a bússula, não é sinónimo de ir no bom caminho, sobretudo quando se cinge tudo a um ponto cardeal.
Ad tinha, finalmente, se sentado sobre a glândula pineal.
Em vez de bolinar, submergiu.
Não encontrou o seu norte, por isso resnasceu.

Pitt

domingo, 25 de abril de 2010

Possível topografia dos lugares interiores #5

5. os turcos deram-nos a sela, nós oferecemos-lhes ossos em borboleta.


Amparada num arame farpado a cálcio-clinóide,
enclausurada num andar médio acima de espaços pneumáticos,
manifesta-se a guarida de uma sela à cavalaria de rios vermelhos
que alcançarão na sua cadência a pedra de um temporal.

Chegarão os rios aos palcos localizados para vencer e activar
cidades empobrecidas prontas a erguer até Constantinopla,
e mobilizar também os seus servos obedientes,
sujeitos a condicionamentos de factores de libertação
e outros que tais rigorosos patrões.

Começando tudo enfim num osso que é borboleta,
que embora tendo dois pares de esbeltas asas
não voa nem consta que se queixe da monotonia do lugar
de onde parte para os muitos relevos do corpo a catalogar.




Hermenegildo Espinoza

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vai correr tudo bem

Estive largos minutos a olhar para um acrónimo que me aparecia num livro técnico, volumoso e fotocopiado a tons de preto e branco. Um livro que, ainda que tal não ser deva dizer pois é uma não totalmente correcta metáfora militarista, disserta sobre quase todos os meios que o corpo tem para se ver livre de qualquer diabo dentro dele (leia-se: vírus, bactérias, químicos, objectos estranhos, objectos ainda mais estranhos). Estava a ler o acrónimo MTV e, talvez por sono, veio-me uma súbita angústia de histeria adolescente, de música estapafúrdia, de programas sem qualquer propósito (a não ser que considerem que me estão a entreter quando me deixam com uma má-disposição tal a olhar para aquilo que me leva a considerar, não raras vezes, o suicídio uma morte extremamente prazerosa). Por fim, acordei, e o que estava a ler era, de facto, Mammary Tumor Vírus (MTV). De modo que, para ser sincero, e enquanto vou colocar a bata a lavar pois parece que esta está mais negra do que branca, só vos posso garantir que vai correr tudo bem. Até repito: vai correr tudo bem.





Hermenegildo Espinoza

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Gira-discos #18

Jónsi - Grow Till Tall (Go Quiet Trailer)

Há sempre um silêncio sublime antes dos grandes tumultos. Vozes límpidas relembrando-nos os sentimentos arcaicos mas tão impregnados na nossa natureza. É como o falsetto do Jónsi (vocalista dos Sigur Rós) que, mesmo que seja em inglês, islandês ou ainda vonlenska (conhecida também por hopelandic, uma língua inventada pela banda, sem qualquer conteúdo gramatical e significado a não ser o do som, como se a voz fosse mais um intrumento apenas com as escalas musicais, em que o que prevalece é a melodia da mesma, tal como uma guitarra ou piano) deixa em nós aquela monotonia desejada antes das grandes provas com que nos deparamos. Até o barulho começar a aumentar, a subir, a romper-nos o tímpano para nos obrigar a agir, quase sempre para voltar a um ponto de controlo mais baixo, de nova calmaria. Um amostra de ritmos circadianos do medo e da euforia.




Hermenegildo Espinoza

domingo, 18 de abril de 2010

comentário com peso e medida

Eis um comentário que se encontra no Publico online, na noticia que relata a vitoria do benfica sobre o académica.
"Mafarrica/Mulher da Vida, Abintes. 18.04.2010 20:14


Ai este meu Benfica mata-me com prazer!!!!três pela frente e duas por trás...# mais três ORGASMOS fantásticos....uiuiuiiu:Melhor que no tempo do selazaris!Beijinhos a todos!"
Bem! Há adeptos e adeptos! Há aqueles aos quais basta viver a emoção, e outros que, por da cá aquelha palha, não se contentam com isso.
Seja com túneis, ou sem túneis, em condições orgásmicas ou climactéricas, certos e precisos são os números: 3-2, ou não seja a matemática uma ciência exacta.
Pitt

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Porto em Garatuja!

Às vezes, captar um momento é mais do que simplesmente pisar o botão e "flash!", temos fotografia.


Por entre a textura das folhas, o segurar rebuscado do moleskine, e o deslizar aparentemente aleatório da MICRON 02, registo imagens e emoções; pontos, traços, linhas, manchas, risos, vida. E é nestes escassos esquissos que a efemeridade dos momentos da lugar a vivências perpétuas. Vejamos se desta forma descubro o que raio ando a fazer por aqui!


É assim que inauguro esta jornada.
Pitt


sábado, 10 de abril de 2010

Possível topografia dos lugares interiores #4

4. as pessoas que nos provocam uma luxação temporomandibular.


O último de queixo caído que feche a porta,
e resguarde visões oníricas no seu interior como fecho éclair.
Ouça-se um click e teremos sinal mais que evidente
de alguma convulsão interior de não conseguir falar.

De queixo caído para tanto não dizer
alguém avise as inserções temporomandibulares
que nada há a temer, nem sequer a perpétua legitimidade
entre as pessoas que em nós temos vindo a articular.

Virá nos livros algum sermão do senhor Vesalius
aligeirar a anatomia do homem a preto e branco.
Não será boa táctica a imbecil razia e o esquecimento
das possíveis circunstâncias de uma mandíbula pendente.




Hermenegildo Espinoza

terça-feira, 6 de abril de 2010

Imagiologia (quase) médica #8

Estava com dúvidas e algum esquecimento (na memória episódica, o que me irrita, pois são as fotografias de alta definição que tanto estimo) sobre os tipos de paralisia facial - tanto a central como a periférica - e decidi ir ao arquivo. São mimos para a potenciação a longo prazo.

E a vida segue dentro de momentos.



Hermenegildo Espinoza