
Para os mais românticos, dia dos namorados. Para os mais religiosos, dia de São Valentim.
Quer uma referência, quer outra, são filhas da mesma barriga, por assim dizer.
Reza a história que o bispo romano Valentim contrariou as ordens do imperador Cláudio II, ao continuar a celebrar os casamentos pelo imperador proibidos enquanto decorresse guerra (era minimamente conhecida a influência psicológica que a família tinha e tem nos guerreiros). Este fora da lei foi descoberto e condenado à morte. Na prisão, deixavam-lhe flores e escritas a dar conta de que "ainda acreditavam no amor". Consta também que, ainda na prisão, Valentim se apaixonou por Asterias e...bláblá... morreu precisamente no dia 14 de Fevereiro. Facto é que este dia se tornou imortal, tanto para românticos como para religiosos.
Agora, se me é permitido, punha de parte esta versão mais soft de dia dos namorados e recorria a Saramago para fazer valer a versão hard da coisa, aquela que não se enquadra nem nos românticos, nem nos religiosos, mas que é deveras a que prevalece hoje em dia, uma versão à adão e eva.
"É verdade que dia sim, dia não, e este com altíssima frequência também sim, adão dizia a eva, Vamos para a cama, mas a rotina conjugal, agravada, no caso destes dois, pela nula variedade nas posturas por falta de experiência, já então se demonstrou tão destrutiva como uma invasão de carunchos a roer a trave de casa".
[...]
"(...)o senhor fez aquele aparecer umas quantas peles de animais para tapar a nudez de adão e eva, os quais piscaram os olhos de cumplicidade, pois desde o primeiro dia souberam que estavam nus e disso se haviam aproveitado."
Acho tudo tolerável e admissível neste dia, menos a parte comercial da coisa.
Nota 1: Encarem o post como uma forma de julgar a sociedade de consumo.
Nota 2: Para os que queiram seguir livremente o curso do pensamento (e sejam menos crentes) suponham que, em vez de um adão e uma eva, esse tal senhor teria criado, como primogénitos, um adão e um ivo. Ou então uma adona e uma eva.
Pitt